Memórias de uma época - III

20100201

Dança das cores


Leonid Afremov, nascido em 1955 (Bielorússia), estudou artes plásticas em Israel (Vitebsk Art School) e, atualmente, vive em Miami (EUA). Seu trabalho usa cores fortes e brilho, criando imagens visualmente impactantes. Usa espátulas no lugar de pincéis para aplicar inúmeras camadas de tintas sobre a tela. Seu estilo é fauvista* que marca pela simplicidade das formas, pelo primado das cores e por uma elevada redução de graduação das cores. São paisagens urbanas molhadas de chuva, do sereno da noite, de neve derretida.



Aqui, uma coletânea de obras de Afremov, sem dúvida, uma das grandes expressões do fauvinismo contemporâneo, mais apurado, mais detalhado


* Fauvistas (do francês les fauves,‘as feras') é como foram chamados os pintores seguidores do fauvismo, não impressionista, toscamente colorido, simples: Paul Gauguin, Georges Braque, Andre Derain, Jean Puy, Paul Cézanne e Henri Matisse, estão entre os mais famosos fauvistas do passado, iniciadores deste estilo.

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20100122

As criaturas de Kleber da Silva

Kleber da Silva, 49 anos, pedreiro e também artista plástico, expõe suas obras ao relento, no barranco da sua casa. Estilo de arte primitiva aplicada a troncos e galhos de árvores secas recolhidas de diferentes lugares e trabalhadas com estiletes, formão, serrote, pincéis, tintas e cola de madeira. Não corta nem derruba árvores vivas para suas criaturas, ressalta o artista.

A (ins)piração para realizar sua inusitada arte veio de um problema de trânsito, na rua onde mora. Havia um buraco que causava muitos transtornos, surpreendendo veículos, ciclistas, carroceiros e até pessoas, à noite.

Cansado de se levantar para ajudar motoristas a tirar carros do buraco ou ajudar ciclistas que, inadvertidamente, caiam dentro e se machucavam, Kleber decidiu colocar galhos de árvore para sinalizar o local. Como a prefeitura continuava indiferente ao problema e os galhos apodreciam, teve a idéia de colocar um toco com um boné e um pano, que se transformou num boneco expressivo e engraçado, depois de ganhar olhos, óculos, adereços e uma “companheira grávida”.

Os bonecos, motivo de risos para quem passava pelo local, finalmente, chamou a atenção da prefeitura e o buraco foi tapado. Só que os bonecos foram jogados no canto da rua, ali ficando até de noite, quando chegou do trabalho. Como eles haviam cumprido a missão com sucesso, decidiu mantê-los na porta de sua casa, e descobriu que, mesmo imóveis e de matéria amorfa, os bonecos, de alguma forma, tomaram “vida”.


A partir daí, todo toco ou galho que encontrava colocava dentro da sua kombi, levava para casa e fazia surgir com entalhes e encaixes bonecos expressivos. Colocava-os ao lado do casal original e, assim, formando um ambiente natural interessante com mais de 20 personagens diferentes. (Ao lado, entre galhos e troncos, uma peça vai tomando forma).


Depois de passar alguns momentos entre essas criaturas, a visão de tocos e galhos secos muda. A gente começa a ver bonecos escondidos neles, que fazem refletir sobre como a natureza é bela e misteriosa, revelando olhares, mostrando direções, enfatizando traços humanos conhecidos, enfim, despertando na gente o prazer da arte primitiva, que brota espontaneamente e emociona.

arte primitiva de galhos e troncosAs esculturas ficam à beira da rua Antonieta Fonseca, 461 (fincadas no barranco e suspensas nas árvores), no bairro Santos Dumont (saída para Buritis), em Divinópolis. A figura ao lado leva a outras imagens da arte de Kleber da Silva, n'A Página 11.

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20091229

Cultura e instituições afetam a saúde

A saúde da população depende mais da qualidade de vida do que da qualidade de seu sistema sanitário.


Os sociólogos Peter A. Hall e Michele Lamont (2009), da Universidade de Harvard (Estados Unidos), estudaram durante três anos os marcos culturais e as práticas institucionais que estruturam a vida cotidiana e influem na saúde da sociedade. Os resultados da pesquisa, que envolveu diversos sociólogos especializados (epidemiología, psicología e ciências políticas), foram tratados em ensaios e reunidos em um livro sob o título Successful Societies. How Institutions and Culture affect Health – Sociedades exitosas. Como as instituições e a cultura afetam a saúde.

Os autores confirmaram duas hipóteses: i) a saúde da população depende menos da qualidade de seu sistema sanitário do que da qualidade de vida cotidiana dos indivíduos que a compõem; e ii) o êxito ou o fracasso das iniciativas de saúde pública de qualquer sociedade dependem tanto de fatores sociais e culturais como de médicos, recursos e medicamentos.

No livro, além de analisar os temas mais relevantes da saúde pública contemporânea (versus recursos econômicos), os autores vão mais além e deixam expostos os fatores sociais e culturais que afetam a saúde, como os efeitos das redes sociais (na redução dos fatores estressantes, violência etc.) e a deterioração da vida cotidiana, entre outros.

Para Hall & Lamont (2009), a cultura, as crenças religiosas (que ajudam as pessoas a enfrentar a vida) ou o sentimento de identidade coletiva ainda não são levados em conta pela maioria dos epidemiólogos, quando analisam a saúde pública.

O assunto no Brasil

Um artigo de revisão sobre determinantes sociais da saúde (DSS) foi realizado por Buss & Pelegrini Filho, em 2007. Nesse trabalho, alémm de estudar a evolução dos DSS, os autores tentam mobilizar os setores de saúde e a sociedade para o debate sobre as “iniqüidades em saúde”:
Nas últimas décadas, tanto na literatura nacional, como internacional, observa-se um extraordinário avanço no estudo das relações entre a maneira como se organiza e se desenvolve uma determinada sociedade e a situação de saúde de sua população.

Esse avanço é particularmente marcante no estudo das iniqüidades em saúde, ou seja, daquelas desigualdades de saúde entre grupos populacionais que, além de sistemáticas e relevantes, são também evitáveis, injustas e desnecessárias.

(BUSS, Paulo Marchiori; PELLEGRINI FILHO, Alberto. A Saúde e seus Determinantes Sociais. PHYSIS: Rev. Saúde Coletiva, Rio de Janeiro, 17(1):77-93, 2007)

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20091214

O número da beleza universal

φ

Faz parte do desenvolvimento humano conhecer os elementos essenciais da identidade (com o máximo de itens físicos e imateriais) e sua localização no mundo (que também pode ser aperfeiçoada com conhecimentos adquiridos em suas vivências e estudos). Assim é que se chega à percepção do que somos, de onde teríamos vindo e para onde iremos, agora, hoje, amanhã ou após a morte.

Estava procurando uma solução para essas questões e passei a observar os padrões da natureza e as suas proporções mais perfeitas, que se repetem no Cosmos, no Universo, na Via-Láctea, no Sol, na Terra, onde estamos, no DNA e na natureza em geral. Verifiquei que os construtores de templos, especialmente os antigos, que erigiram os Zigurats dos Sumérios, as Pirâmides (egípcias, astecas e maias), bem antes do Parthenon grego, entre outras maravilhas do mundo, observavam essa mesma proporção perfeita, calculada pela fórmula: 1+ raiz quadrada de 5, dividido por 2 = 1,61803398874... atribuída indevidamente ao escultor grego Fídias, que apenas popularizou o número entre os gregos e romanos.

Proporção áurea

Apelidada de Phi φ (vigésima-primeira letra do alfabeto grego) - uma constante real algébrica irracional ou transcendente cujo valor foi arredondado para 1,618 - este número, ficou conhecido por vários nomes: proporção áurea, número de ouro, número áureo, proporção dourada, seção áurea, razão áurea, razão de ouro, divina proporção, proporção em extrema razão e divisão de extrema razão, entre outros.



Estes vídeos com textos do professor Luiz Barco (Arte e Matemática, TV Cultura) e apresentadora anônima, esclarecem bem o que é o Phi (φ).

Veja muitos outros usos desta proporção (φ), no site GoldenNumber.net

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20091207

Arte da fumaça



Este é um tipo muito peculiar de escultura. Foi feita pelo engenheiro elétrico turco Mehmet Ozgur, que adotou a fotografia como hobby, dedicando-se a registrar cenas de fumaça. Sua técnica consiste em utilizar incenso e nitrogênio líquido para compor imagens depois sobrepostas em camadas até adquirir a forma desejada.

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